Aprendizados e tendências

Ricardo Pastore, Prof. e Consultor de Varejo

Não só o varejo mas a sociedade como um todo já aprendeu muitas coisas com a pandemia do Covid-19. Aliás, dolorosamente.

A primeira delas é que a doença mata e não tem cura a curto prazo, portanto o melhor remédio é a prevenção. 

Segundo, é que o caos econômico só não se instalará se a União socorrer de fato os que necessitarem, principalmente a população carente e os micro e pequenos empresários.

O terceiro ponto não está tão claro a todos, mas é sem dúvida a questão mais complexa: o fator social! Trata-se um um problema com muitas variáveis difíceis de serem mensuradas e de serem resolvidas com uma regra clara apenas. 

A questão social vem desafiando os governantes e, quando retomarmos as atividades, desafiará os gestores também. São questões recheadas de aspectos emocionais e psicológicos e já impactam os nossos clientes, as nossas equipes, as nossas famílias e a nós mesmos.

Enquanto gestores, temos a dura tarefa de tentar entender o comportamento do consumidor e a partir dessa informação, tomar as melhores decisões para os nossos negócios. 

Os consumidores estão muito sensibilizados com a contaminação e a queda na renda familiar. Preventivamente, evitam circular pelas ruas e shoppings e reduzem os seus gastos. Nesses momentos, há uma mudança nos hábitos de compra, alteram-se os canais de venda e muitas marcas são substituídas.

O que se prevê é uma retomada com os chamados básicos, itens de menor preço e essencialmente necessários. Mas essa é uma análise muito rasa, temos que ir mais a fundo e identificar as novas necessidades e desejos dos consumidores.

É bom reforçar que o Novo Normal do Varejo não é a volta à situação anterior e sim uma nova situação diferente ao que tínhamos antes. São mudanças que já se tornaram normais, como o uso de máscaras e viseiras de acrílico, distanciamento de um a dois metros entre as pessoas, incluindo clientes e funcionários, colaboração e solidariedade entre empresas, governos e instituições e muita, muita disposição para se reinventar.

As pesquisas realizadas com entrevistas em profundidade, são as mais adequadas para avaliar sentimentos e emoções. Atualmente são utilizados aplicativos que dispensam o encontro presencial entre entrevistador e participante. Os softwares de análise de dados qualitativos aceleram muito a etapa final e a redação do relatório de análise contendo os insights que utilizamos em nossas estratégias de marketing de varejo.

Dessa análise, surgem decisões como mudanças no mix de produtos, posicionamento de preços, tipo de comunicação com o consumidor e ações de ponto-de-venda. Os resultados das pesquisas nos ajudam ainda a entender como se comportam os nossos clientes durante suas compras pelo e-commerce e pelos aplicativos mobile.

O omnichannel vem se consolidando e as compras que envolvem dois ou mais canais físicos e digitais, incluindo o mobile, já fazem parte do Novo Normal.

Teremos um grande investimento em biossegurança a fazer! Os nossos clientes precisam se sentir seguros no ambiente de compra. 

Talvez esse seja o maior esforço nesse momento a se fazer, mas qualquer decisão sem a devida investigação, pode ser um tiro no escuro.

O mundo pós-pandemia é um novo mundo, com a vantagem de utilizar recursos que já estavam disponíveis, ou seja, temos tudo a nossa disposição para nos reinventar e mostrar para os nossos clientes que, assim como eles mudaram, nós mudamos também.

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