Tendências do Varejo na era do covid-19

Diante de um cenário de mudanças radicais, os que atuam no Varejo sentem-se totalmente desorientados. Não há soluções prontas, mas sempre há saídas.

De um lado, temos lojas fechadas; de outro, lojas online bombardeadas com pedidos e contratando milhares de pessoas. Não se trata de correr riscos com mudanças, mas sim lidar com incertezas. Riscos são margens de erros que podem ser avaliados, mensurados, já as incertezas são como um salto no escuro. Quem é capaz a essa altura dos acontecimentos, fazer previsões concretas?

Enquanto as ciências médica e biológica se desdobram para buscar a cura por meio de uma nova vacina e por tratamentos para amenizar o sofrimento dos que contraírem o Corona Vírus, a ciência social aliada às ciências exatas tentam ajudar empresários a encontrarem saídas para salvar suas empresas. Cientistas da Administração, do Marketing, de Economia, Ciências Contábeis lado-a-lado a Engenheiros de Dados e de Sistemas trabalham intensamente fazendo adaptações a softwares, desenvolvendo novos algoritmos, pesquisando novos modelos de negócios e de gestão para minimizar efeitos da quarentena imposta a milhares de empresas que, do dia para a noite, tiveram o seu faturamento interrompido.

Uma empresa baseada em lojas físicas só manterá parte de suas vendas ativas se tiver canais online. Seus clientes por sua vez, só poderão comprar online, o que significa que as vendas por esses canais só tendem a aumentar, portanto não há o que pensar, a saída é o digital!

O varejo digital já vive nesse momento grande aumento de vendas e de contratações de novos colaboradores para atender a tanta demanda. Essas contratações estão localizadas em Centros de Distribuição e nas atividades de Entrega. Porém na atividade Administrativa, há uma infinidade de novos problemas:
– há atrasos nas entregas devido ao aumento dos pedidos e os clientes “prime” que pagam para fazer parte de programas especiais de atendimento, como prioridade e custo zero de frete, sentem as falhas no atendimento;
– há empresas priorizando entregas de produtos essenciais ao combate do corona vírus, desde descartáveis, álcool gel a medicamentos;
– há contágio entre funcionários de centros de distribuição e entregados, o que torna dramático o problema de atendimento e redução dos atrasos. Em certos casos, centros de distribuição chegaram a ser fechados para desinfecção durante três dias e substituição de trabalhadores que testaram positivo enquanto os que testaram negativo retomavam os trabalhos;
– o uso de robôs em centros de distribuição passaram a ser utilizados mais intensamente para reduzir processos manuais;
– alguns fornecedores e diversos produtos estão sendo descontinuados por terem promovido aumentos abusivos de preços;
– a introdução de novos produtos passam a ser restritos apenas aos que forem prioritários no combate à pandemia. Ou seja, há grande possibilidade de desbalanceamento dos estoques e o aumento das rupturas!
– há ainda a necessidade de implementar planos de prevenção da transmissão entre os próprios funcionários e entre estes e os clientes que são atendidos pelo pessoal de entregas.

Alguns aprendizados podem ser compartilhados, entre eles:
– funcionários terceirizados são afastados quando testados positivo, mas continuam recebendo um valor médio para poderem se manter enquanto não trabalham. Isso exige das empresas a utilização de algum fundo emergencial próprio ou via financiamento, recurso que aqui no Brasil não é nada fácil;
– plano de contingência para desinfecção de locais de trabalho preventivamente e principalmente quando ocorre a identificação de funcionários testados positivo;
– aumento da flexibilidade logística, utilizando recursos de terceiros e até de concorrentes para garantir o atendimento aos consumidores e clientes no caso do b2b;
– reorganização do CD para abrigar produtos que tiveram crescimento abrupto de demanda;
– identificação de lojas físicas que em breve poderão funcionar com mini-centros de distribuição, dando apoio logístico a entregas regionais;
– agilidade na substituição de fornecedores que vierem a apresentar problemas de entrega e abastecimento, mas lembrando de não romper vínculos, pois os parceiros de negócio podem retomar a normalidade e das operações;
– rever os algoritmos de reposição automática e distribuição, pois houve muitas oscilações desde o início da crise do corona vírus;
– ajudar na divulgação de informações úteis para o combate da pandemia, evitando fake news;
– procurar integrar grupos e movimentos que colaboram com a distribuição grátis do kit para teste do Covid-19 ou de refeições para comunidades carentes que estejam em isolamento social;
– aumento da utilização de robôs para separação e picking de produtos;
– envolvimento de Universidades para utilização de novas tecnologias para agilizar a distribuição, afinal as empresas precisam vender e os consumidores querem voltar a consumidor mesmo em quarentena e isolamento.

São nessas horas que entendemos porque o trabalho científico tem como ingrediente a pressão por tempo, pois em épocas de crise, pessoas e empresas não podem esperar, sob o risco não sobreviverem.

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